sábado, 22 de agosto de 2009

A União Desportiva e Recreativa da Quinta do Conde

UNIÃO DESPORTIVA E RECREATIVA DA QUINTA DO CONDE

A União Desportiva e Recreativa da Quinta do Conde nasceu no dia 10 de Julho de 1985, da fusão de duas das mais antigas e prestigiadas colectividades da Quinta do Conde: Associação Condense Futebol Clube e Leonenses Futebol Clube.



ASSOCIAÇÃO CONDENSE FUTEBOL CLUBE

Nos primeiros anos do povoamento, os jovens da Quinta do Conde tinham pouco por onde escolher para a ocupação dos tempos livres. Não surpreende, pois, o facto de serem os próprios jovens a criar e organizar as suas competições desportivas, principalmente encontros de futebol. Convidavam os adversários, solicitavam um campo de futebol, providenciavam equipamentos, árbitros, transportes, enfim tudo. Por vezes surgiam inesperados obstáculos que era preciso ultrapassar. E foi na sequência dum entrave havido com equipamentos, que no dia 31 de Agosto de 1976, no “Café 1º de Janeiro” que existia no lote 1516 do Conde 1, um grupo de jovens onde pontificavam João Narciso Brito, Fernando Narciso Brito, António Mestre Rosa, João Trindade, José Francisco Rosa, Vítor Magalhães, José Figueiredo, José Reis, António Lança, Leonel Matias, José Silva, entre outros, decidiu formar um clube. As primeiras reuniões foram no "Café Canga" (Lote 1040/C1), de Fernando José Brito. A seguir, alugaram por 5.000$00 mensais, um armazém, no lote 3187, no Conde 3. Os estatutos foram aprovados com base numa proposta elaborada pelo professor Pinhão. Para emblema surgiram três propostas, tendo sido escolhida a proposta do António José Duarte.

Só mais tarde, a 9 de Outubro de 1978, se efectuou a escritura de constituição da “Associação Condense Futebol Clube”, subscrita por: António Miguel da Costa Romão, Nuno Álvaro Soares, José Eduardo Soares Figueiredo, António Ângelo Pinhão Lopes da Cruz, Jorge Manuel, Simplício de Oliveira Mineiro, José Maria dos Reis, João Manuel Lopes Lameira e Norberto Martins Guerreiro, que tinha por objectivo “a promoção pessoal dos sócios, através da educação física e desportiva e da acção recreativa e intelectual, visando a sua formação humana integrada, encontrando-se aberta a pessoas de ambos os sexos”. O registo no Diário da República foi a 30 de Novembro de 1978.

Apesar da denominação registada, o clube sempre foi conhecido por “Condenses Futebol Clube”.



Criaram-se secções de futebol, atletismo e ténis de mesa, obviamente modestas, dadas as limitações. Efectuavam-se festas de vário tipo, pelo carnaval, 25 de Abril, natal, tendo geralmente como alvo as crianças. A regular realização de bailes, constituía a principal fonte de receitas, dado que estes eram geralmente muito participados. Tinham lugar na sede ou sob o pinheiro manso, em recinto previamente vedado com canas. Os jogos de futebol realizavam-se geralmente no campo da NATO, no Marco do Grilo, após prévio pedido. Na escritura de constituição consta já a sede nos lotes 185/186 do Conde 1, então prometidos pelo industrial António Xavier de Lima, mas, durante a existência dos “Condenses” os trabalhos realizados limitaram-se ao abate dos pinheiros e construção dum muro de vedação.

Os “Condenses” tiveram como presidentes da Direcção, sucessivamente: Simplício Mineiro, António Miguel Romão, José Madeira Fernandes e por fim, a assinar a fusão, Eugénio Pires.

Na imprensa regional da época, nomeadamente no jornal “A Voz de Palmela”, encontram-se várias referências aos “Condenses”. Por várias vezes os dirigentes dos Condenses e da Associação foram questionados sobre a eventualidade duma fusão. Em Agosto de 1981, os Condenses, comemoraram condignamente o seu 5º aniversário. Entre as iniciativas contou-se uma prova de atletismo, a Meia Maratona Setúbal Quinta do Conde, que foi ganha por Armando Aldegalega, do Sporting. A seguir, porém, a inércia tomou posse do clube e o declínio tornou-se evidente.

LEONENSES FUTEBOL CLUBE

Sobre os Leonenses Futebol Clube, a primeira citação publicada que foi possível consultar, refere-se à comemoração do 3º aniversário, e está registada no jornal “A Voz de Palmela” de 12 de Setembro de 1979.

A constituição oficial do clube, porém, só se realizou a 23 de Dezembro de 1983, e foi subscrita por: Afonso Pinheiro, Manuel Sebastião Varela, Manuel Correia, Alberto José Correia, Francisco Mendes Freitas, Francisco José Serranita Cascalho, João Emílio Jesus Oliveira, António Lúcio Subtil, Álvaro Conceição Barreto, José Augusto dos Santos Pinheiro e Daniel Fernandes Amaro. Dos objectivos consta: “a prática do desporto em geral e actividades recreativas, através de iniciativas próprias ou colaborando com outras entidades públicas ou privadas na prossecução dos seus ideais programáticos”.

O nascimento dos Leonenses, segundo o seu primeiro constituinte, remonta a 8 de Setembro de 1976, quando um grupo de jovens moradores da Quinta do Conde iniciou uns desafios de futebol. Dividiam-se em duas equipas. De um lado os Leonenses Futebol Clube e do outro os Tirsenses Futebol Clube. A 2 de Abril de 1979, defrontaram-se num jogo muito especial. Para além de um trofeu (uma bota de futebol em barro), a equipa vencedora dava nome à Associação que decidiram formar. Ganharam os Leonenses. Eram miúdos com idades entre os seis e os doze anos (José Augusto dos Santos Pinheiro, Pedro Roque de Jesus Landeiro, João Afonso dos Santos Oliveira, Carlos Manuel dos Santos Aguiar, Henrique Sanches Manso, Hélder José Sanches Manso, Manuel Joaquim dos Reis Liberato e Rui António Mania).



A actividade dos Leonenses não se resumiu ao futebol. A secção de ginástica movimentou centenas de praticantes. O karaté e o atletismo foram secções com razoável dinâmica. No campo cultural, o Rancho Folclórico “Estrelinhas dos Leonenses”, foi o primeiro rancho folclórico da Quinta do Conde. O Rancho Infantil iniciou os ensaios no final de 1983, sob a direcção de Manuel Nunes Meireles, Cristina Meireles e Ana Paula Pinheiro, que haviam praticado folclore em Mulhouse (França). Apresentou-se pela primeira vez em público nas festas de carnaval na Quinta do Conde, entre 3 e 6 de Março de 1984. A seguir actuou no Largo do Município em Sesimbra, nas festas comemorativas do 10º aniversário do 25 de Abril. Entre as muitas actuações deste grupo sabe-se, através da imprensa, que actuou a 30 de Setembro, em festa promovida pelos Leonenses e no ano seguinte novamente pelo 25 de Abril, em Sesimbra. Os pioneiros do folclore na Quinta do Conde, contavam então entre 6 e 11 anos e foram: Abílio Monteiro, Alexandra Almansa, Carlos Sacramento, Dora Gomes, Elsa Brito, Fernando Brás, Hélder Mira, Lígia Costa, Luís Gonçalves, Marco Amaro, Marlene Pinheiro, Nuno Pinto, Pedro Silva, Rita Nicolau, Roberto Mira, Rui Gomes, Rute Lopes, Sérgio Chambel, Sílvia Lopes, Sónia Baião, Sónia Carvalheira e Vanda Correia. O passo seguinte - a criação do rancho adulto – foi comprometido por convulsões a que não foi alheia a fusão concretizada em 1985.

Em 1984, foi organizado pelos Leonenses um imponente corso carnavalesco na Quinta do Conde.

Mas, foi no ciclismo que o Leonenses Futebol Clube mais brilhou. Chegou a dispor da melhor equipa de ciclismo do Distrito de Setúbal e a organizar provas de excelente nível, como o foram as cinco edições da Prova da Quinta do Conde. Em 1983, eram dos Leonenses, os campeões distritais das categorias de infantis (João Correia), cadetes (Francisco Carvalho), juniores (Serafim Vieira) e seniores (Luís Andorinha). Neste capítulo, uma referência para o ciclista Orlando Rodrigues, vencedor de duas edições da Volta a Portugal, foi atleta dos Leonenses, na categoria de cadete, em 1985. O Clube filiou-se inicialmente na Associação de Ciclismo do Sul e, em 1985, participou na fundação da Associação de Ciclismo do Distrito de Setúbal.

Afonso Pinheiro já dirigia o clube antes da sua constituição oficial e foi o único presidente de direcção, que a colectividade teve.

Instalações condignas constituíam a principal dificuldade dos Leonenses. A sede era num rés-do-chão alugado no lote 532 do Conde 1. A Associação Condense tinha prometidos dois lotes de terreno, mas, agonizava de dia para dia. Ponderados os factos, optou-se pela fusão.



UNIÃO DESPORTIVA E RECREATIVA DA QUINTA DO CONDE

Por escritura de fusão da “Associação Condense Futebol Clube”, com os “Leonenses Futebol Clube”, realizada a 10 de Julho de 1985, foi criada a União Desportiva e Recreativa da Quinta do Conde, com o seguinte objectivo “actividades de prática do desporto em geral e actividades recreativas e culturais, através de iniciativas próprias ou colaborando com outras entidades públicas ou particulares”. Sediou-se inicialmente nas instalações alugadas dos Leonenses (lote 532/Conde 1). Foram eleitos a 13 de Julho de 1985, os primeiros Corpos Gerentes da colectividade: Manuel Sebastião Varela (Presidente da Mesa da Assembleia Geral), Afonso Pinheiro (Secretário da M.A.G.) Manuel José Dias Marinho (Secretário da M.A.G.), Francisco Serranita Cascalho (Presidente da Direcção), Maria Luísa Sousa Rocha (Secretária da Direcção), Joaquim José Marques (Tesoureiro), Manuel Nunes Meireles (Folclore), Fernando Serpa (Obras), Jacinto Carrilho (Lutas), Eugénio Pires (Atletismo), Armando Pimenta (Festas/Sala), António Lopes (Bar), Simplício Mineiro (Futebol), Clara Cascalho (Ginástica), João Oliveira (Presidente do Conselho Fiscal), José dos Santos Ramos (Conselho Fiscal) e Daniel Amaro (Conselho Fiscal).

A União Desportiva e Recreativa da Quinta do Conde inscreveu na Associação de Futebol de Setúbal a primeira equipa de futebol da Quinta do Conde em 1985, tendo-se classificado em último lugar, entre oito equipas, no Campeonato Distrital da 3ª Divisão da época 85/86. 2 vitórias, 3 empates e 9 derrotas; 21 golos marcados e 32 sofridos foi o saldo dessa época. Depois dum ano de interregno, o clube regressou à competição federada em 1987 e foi campeão da 3ª Divisão Distrital. Na época seguinte, na 2ª Divisão Distrital, o clube foi infeliz tanto no capítulo desportivo como disciplinar: último lugar na classificação e nota muito negativa em disciplina, com o clube, dirigentes e jogadores a sofrerem pesadas penalizações. Foi criada uma secção de cicloturismo, e esta equipa participou em diversos encontros realizados de norte a sul do país. O Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Região de Sesimbra está ligado à colectividade, desde a sua criação.

A União construiu em 1985, um campo de futebol de onze, em terrenos no concelho de Setúbal, cedidos temporariamente por António Xavier de Lima, porém, esse campo foi abandonado após a inauguração a 24 de Agosto de 1985, depois de significativos investimentos. A 10 de Dezembro de 1988, foi betonado o 1º pilar da sede definitiva – nos lotes 185 e 186 do Conde 1 - uma obra projectada pelo Arquitecto Augusto Pólvora, que prevê um edifício de dois pisos. Com o final duma primeira fase das obras e algumas adaptações, foi possível transferir a sede da União para este local, a 11 de Julho de 1992. No dia 20 de Novembro de 1996, efectuou-se a escritura de doação dos lotes 185 e 186, por parte de António Xavier de Lima à União Desportiva e Recreativa da Quinta do Conde, representada no acto por: Daniel Amaro, João Bento, Francisco Raposo e Laurindo Espinha.

No final de 2004, com a inauguração de mais uma fase da sede - o pavilhão situado na ala esquerda do edifício – foi possível implementar novas actividades desportivas, destacando-se de entre estas a secção de “Lutas Amadoras”. Na época de 2005/2006, a União regressou ao futebol federado, desta vez com uma equipa de futsal.

Presidiram às Direcções da União Desportiva e Recreativa da Quinta do Conde sucessivamente: Francisco Cascalho, Lizandro Trafaria, Vítor Loureiro, Ernesto Barros, Francisco Raposo, João Cabral e Francisco de Lemos.

Fonte: UDRQC, por Vítor Antunes

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